Mordaça Intelectual

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Na condição de presidente brasileiro que foi, FHC nos levou à servidão, ao fetiche do papel e do abstrato futuro do mercado mundial de capitais. Cardoso empenhou nossas vidas, nosso trabalho até os dias de hoje. Não conseguiu, contudo, privatizar a PETROBRÁS, embora tentasse desvinculá-la mercadologicamente de um país, tentando mudar o nome para PETROBRAX. Representando o capital financeiro FHC vendeu o país. Nesta época José Luiz Fiori prestou um grande serviço, mostrando o movimento do ex-presidente.
 
Em seguida Lula, liderando a resistência ao PSDB assume a presidência do país. A população depositou muita confiança em dias melhores como (FIORI, 2013, 32) escreve, que na “primeira década do século XXI (…) depois de um longo período de alinhamento quase automático do país às “grandes potências ocidentais”, o Brasil se propôs a aumentar sua autonomia internacional, elevando a capacidade de defesa de suas posições, em virtude de seu poder político, econômico e militar”. Que decepção ler este parágrafo de Fiori no livro “Lula e Dilma – dez anos de governos pós-neoliberais no Brasil”. Todo ele fazendo a apologia do lulismo.
 
Nossa autonomia é uma ilusão. Fazemos tudo servilmente para ser, de forma sólida, uma plataforma de produção de riqueza para sustentar a podridão dos papéis moedas sem nenhum lastro. Fiori sabe muito bem disso. Esta aliança financeira é um dos aportes do que Lula criou e Dilma segue, ainda que, sob vaias, e usando o veneno que tomou na ditadura civil militar. Matando e batendo no povo na rua quando reivindicam seu direito de ir e vir.
 
Lula diante de situação de não ter o que dilapidar de patrimônio deste país, aposta na boa gestão monetária, dando continuidade ao exigido pelo modelo econômico e à República criada por FHC e seus aliados do capital-dinheiro mundializado e busca produzir riqueza, agora à custa da diminuição do custo do trabalho do brasileiro. É preciso reduzi-lo. Qual é a autonomia política e econômica Professor Fiori dos governos pós-neoliberais. Um pouco de honestidade intelectual lhe caberia bem. Lula investe no aumento do intelecto social médio da população brasileira para diminuir o custo do trabalho e aumentar a produtividade financeira. A consequência deste momento histórico recente é a aliança produtiva. Empresários, governo e a pesquisa.
 
Uma “sobrepopulação super-empobrecida” é trazida à cena eleitoral pelo consumo e a ilusão da entrada em posição social privilegiada. As universidades públicas tornaram-se o alvo, pois a educação básica sucateou-se. Sucateou-se a ponto de se criar inúmeros programas focais no sistema federal de educação superior, buscando um campo ideológico em que a democratização da universidade pública tornou-se central. Pesquisas aplicadas ajudavam no lado de uma aliança com o empresariado, e a certificação em massa (REUNI, EaD, UAB, 50% das vagas das federais para escola pública, etc). Sem um projeto político esta massa corre messianicamente atrás de Lula e em 2006 sela uma cultura de apoio incondicional à farsa de Getúlio Vargas: Lula e sucessores nacionais, estaduais e municipais.
 
Mas, e a conta quem paga! Aqueles que querendo garantir seus direitos de cidadão em uma aparente democracia saíram às ruas em 27 grandes cidades brasileiras e apanharam da Polícia Militar – criação monstruosa da ditadura civil-militar. São aqueles que vaiaram Dilma na abertura da copa das confederações: vergonha nacional transmitida a todo planeta. Professores Emir Sader, Pablo Gentili e Fiori onde está nosso espaço político mundial agora.
 
Para ir concluindo, pois o texto já é longo e tudo hoje é tempo e espaço comprimido, incluindo o do papel tal qual na idade média, na imprensa. Vejo que Dilma volta aos passos de FHC em relação à Petrobrás. Por outro lado, minimamente me chateio com os colegas Emir Sader – renomado cientista político em tempos idos – Pablo Gentili – grande divulgador do lulismo ao lado do Consejo Latinoamericano de Ciências Sociais – ao terminar de ler o livro por eles organizado: uma apologia ao servilismo brasileiro.
 
Este livro busca reforçar tudo o que o lulismo não deveria fazer, busca fortalecê-lo e parece que esta é a única saída. O início do livro com a entrevista concedida por Lula aos organizadores do livro mostra isso. Os intelectuais parecem se omitir e cegam-se diante do que passaram na sangrenta ditadura. Acho que vou voltar aos estudos de Nietzsche. Incrédulo com que o lulismo fez com academia brasileira e de seus intelectuais.
 
João dos Reis Silva Júnior